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09/08/2004 09:58
só para não sair do ar
enviada por juspoeta
15/05/2004 21:47
MEU ÚLTIMO POST
Aqui no BLIG, encerro minhas atividades. Depois desse dias horríveis e dessa dor que não consigo mais que suportar, decido mudar de blog, num período já de tantas mudanças. Agradeço a força de tantos amigos, a preocupação do Ronaldo, nessa infeliz confusão. Agradeço por ter o carinho de tantas pessoas especias.
TEnho meu novo blog no seguinte endereço:
www.aindadevotadekelsen.weblogger.terra.com.br
Espero todos os meu amigos por lá. Um grande abraço da velha LILA, que jura que vai sobreviver.
enviada por juspoeta
26/04/2004 07:44
o dia mais triste da minha vida
ontem eu passei um dos piores momentos da minha vida. puseram o mau melhor amigo, Luís Tenório, numa cova. ainda não posso acreditar que aquele homem cheio de vida, tão alegre, esteja morto. estou sem chão, não sei o que dizer.
enviada por juspoeta
31/03/2004 23:37
Dia da mentira
Apesar de você...
Primeiro de abril é dia da mentira. Há, porém, uma data tanto mais trágica, por trás dessa comemoração hilária. Há quarenta anos, exatamente, um dos piores momentos da história do Brasil: o Golpe Militar de 64, conhecido no exército como a Revolução de 64. Imediatamente posterior à euforia democrática do Pós-guerra, o momento histórico era de tendência reformista.
Jânio havia renunciado, Jango era presidente, após um período de parlamentarismo. As reformas estavam na pauta do dia. O movimento estudantil era forte e representativo. Só que a velha sociedade patriarcal e conservadora d Brasil não podia suportar as mudanças que poderia advir, assim como não interessava à política norte-americana um país das proporções do Brasil supostamente alinhado à esquerda. Respeitosas donas de casa saíram às ruas contra as reformas (hilário, isso), apoiadas pela ala conservadora da Igreja católica (sempre contra reformas...). Os EUA apoiaram e os militares encabeçaram o golpe na madrugada de 31 de março de 1964. Naquele dia primeiro de abril, viu a luz a mais longa mentira política da história do país.
As repercussões desse fato na história do Brasil foram (e ainda são) funestas. Não há, ainda uma geração totalmente formada em ambiente democrático, e isso, ao meu ver é determinante a esse caráter doente da democracia brasileira.
Culturalmente, apesar da censura (ou talvez por causa dela dizem as más línguas) , foi um dos mais brilhantes momentos que o país já passou, somente comparado, ao meu ver, com a efervescência cultural do final dos anos 20. A galera vivia fodida (com o perdão da má palavra) mas não deixava de produzir. Os festivais de música incendiavam a galera e surgiram compositores maravilhosos, como Chico Buarque, Belchior, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gonzaguinha... Espetáculos como o Pagador de Promessas, Roda Viva e Viva o Gordo abaixo o regime fizeram os censores de idiotas (isso foi ótimo).
Evidente que houve mártires. Não no sentido religioso da palavra, mas no sentido de vítimas de um sistema que matou quem foi capaz de perseguir ideais. Nas guerrilhas urbanas e rurais, nos porões do DOPS, nos quartéis, nos assaltos do MR8, pessoas morriam por pensamentos, atos e omissões, sem direito a confissão...
Pra frente Brasil, todo mundo na ilegalidade no país do futebol e carnaval. A UNE foi a primeira vítima, incendiada na manhã de primeiro de abril (a primeira verdade do dia da mentira).
RODA VIVA
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa no nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva e carrega destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata não quer mais rodar
Não senhor não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma inicia viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba a viola a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira chegou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade pra lá.
Roda mundo, roda-gigante rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
(Chico Buarque)
* ESSE POST É DEDICADO AOS DESAPARECIDOS, MORTOS E TURTURADOS E SUAS FAMÍLIA, PARA QUEM A DITADURA NÃO FOI MENTIRA E PARA QUEM A DOR, AINDA HOJE SENTIDA, É BEM REAL.
enviada por juspoeta
27/03/2004 06:38
O velho esquema de usar as palavras alheias. Viva o camarada Mário!
O que será que me dá
Que mo bole por dentro
Será que me dá
Que brota à flor da pele
Será que me dá
E que me sobe às faces
E me faz corar
E que me salta aos olhos
A em atraiçoar
E que me aperta o peito
Me faz confessar
O que não tem mais jeito
De dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo
E que me faz implorar
O que não tem medida
Nem nunca terá
O que não tem remédio
Nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que tá dentro da gente
Que não devia
Que desacata a gente
Que é revelia
Que é feito uma aguardente
Que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos
Vão conciliar
Nem todos os ungüentos
Vão aliviar
Nem todos os quebrantos
Toda alquimia
Que nem todos os santos
Que sra que será
O que não tem descanso
Nem nunca terá
O que não tem cansaço
Nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro
Será que me dá
Que me perturba o sono
Será que me dá
Que todos os ardores
Me vêm atiçar
Que todos os tremores
Me vêm agitar
E todos os suores me vêm encharcar
E todos os meus nervos
Estão a rogar
E todos os meus órgãos
Estão a clamar
E uma afeição medonha
Me faz suplicar
O que não tem vergonha
Nem nunca terá
O que não tem governo
Nem nunca terá
O que não tem juízo.
(Chico Buarque)
Provas, provas, provas!
Ando meio sem tempo. Li os comentários, mas não pude responder. Esse fim de semana também será corrido. Tenho cento e cinqüenta artigos do código civil para decorar. Emocionante, a didática do meu professor, não!?
Um abraço!
enviada por juspoeta
22/03/2004 21:00
-CONTINUAÇÃO...*
-Passarinhos! Humpf!
Ele resolveu-se a sair em silêncio. Ia encontrar-se com ela, naquele dia. Era um mero encontro de trabalho, mas estava feliz.
Ela se olhou no espelho de manhã e se achou linda. Piscou os olhos. Já então se achava horrível. Desesperou-se e entrou no banho. Saiu revigorada e resolveu não olhar no espelho. As crianças estavam brincando e ao perceberem sua presença foram ao seu encontro. Brincou com os filhos, tomou o café às pressas, pegou a pasta e saiu para o trabalho com a eterna sensação de que não dava atenção suficiente às crianças.
Preocupações, preocupações, preocupações... Resolveu usar os quinze minutos que gastava de casa para o trabalho para pensar em si ou melhor nele. Será que ele estava mesmo gostando dela ou era só impressão? Talvez fosse vontade de que realmente estivesse. Mas eram tantos indícios... O perfume... Pensou palavras sem nexo e idéias sem sentido. O telefone tocou enquanto alinhava o carro na sua vaga de estacionamento. Será que era ele?
Não era. Sua secretária ligou para dizer que iria se atrasar.
Desligou o carro. Checou os vidros, o conteúdo da bolsa, se olhou no espelho. Estava bem. Resolveu da uma última checada nos cabelos, no batom, afinal, antes do final do dia se encontrariam.
Com um pouco de sorte, teriam uma conversa gostosa sobre amenidades, quando em algum momento se desviassem do estritamente profissional.
Olhou-se no vidro do carro. Certificou-se novamente de que estava bem e subiu ansiosa os dois lances de escada que a separavam de sua sala. Absorveu-se no trabalho, mas às vezes levantava os olhos e pensava nele.
Resolvi fazer a paixão de ELE e ELA ser recíproca. Estou numa fase apaixonada da vida... ; )
A festa na cidade da minha vó foi muito legal rss
Show de Elba Ramalho rules
Ontem eu enchi a cara com a bebida dos companheiros, quis fazer uma revolução, mas estava sem telefone. Só havia uma estrela no céu, ela também queria a revolução. Aí eu mandei uma mensagem embriagada para minha melhor amiga, às duas da manhã e mesmo assim não a acordei. Ando mesmo meio ridícula. : p Mas estou adorando!!!!!!!!
Já visitei alguns amigos, mas temo que o restante das visitas ficarão para o final de semana.
*Quem não entendeu nada, pode remeter-se ao post do dia 27 de fevereiro.
enviada por juspoeta
17/03/2004 07:02
100 coisas que eu adoraria fazer:
1. estar em dia com as minhas leituras
2. tomar banho de chuva pelada na avenida Conde da Boa Vista de madrugada
3. ser presa (não é muito legal), mas é praticamente certo, se eu fizer o tópico anterior
4. escrever algo de que realmente goste
5. ganhar dinheiro para dar presentes a todo mundo que eu gosto
6. conhecer o Mário, o Salomão, o Ronaldo e o Alex
7. fazer artes cênicas e logo após a Revolução
8. passar 100 dias muda num mosteiro
9. pular de asa-delta
10. ir ao Nepal, a Paris, à Índia, à Rússia, a Curitiba, ao Rio...
11. dar a volta ao mundo sem nenhum compromisso com a data de retorno
12. casar com um amigo para poder conversar durante a velhice
13. ter um filho para poder ensinar a ele a fazer o bem por amor ao bem
14. deixar bem claro que os dois últimos pontos não têm qualquer relação entre si
15. poder conquistar a imortalidade para mim e para todos os meus amigos
16. ver a derrota final dos Estados Unidos
17. ver o fim das religiões e conseqüente desaparecimentos das guerras
18. encontrar uma carta do ABC
19. concretizar a justiça em todas as minhas ações
20. comer sem pensar que tem alguém passando fome
21. aprender a tocar violão
22. aprender a tocar gaita
23. aprender tudo que for possível
24. esquecer a miséria
25. por fim à miséria
26. poder conversar com os mortos
27. por Gandhi conversando com Jesus (acho que eles iam se dar muito bem)
28. demitir o Deus da Bíblia e contratar um mais simpático (talvez eu pudesse promover Jesus a Deus)
29. transformar o artigo quinto da constituição em norma de aplicação imediata
30. incluir o Chapolin Colorado na Liga da Justiça
31. descobrir qual a parte comestível da pitomba
32. explicar pra todo mundo que o problema da universidade está na pré-escola
33. mandar Bush pra puta que o pariu e rir da cara dele perguntando What?
34. ver um diálogo entre Alá, Deus e Jeová
35. ver Das Dores: a tragédia da pureza num palco
36. decidir, na corte de Haia, a favor da execução de Bush, Balir, Bin Laden, Saddam e Aznar, de preferência no mesmo patíbulo.
37. levar Marco Maciel para uma ilha deserta (e deixar ele lá)
38. desapropriar a infra-estrutura da Globo em proveito da TV Cultura
39. degolar o autor da Malhação (o corpo eu dava pros peixes comerem, e a cabeça eu queimaria)
40. terminar o jogo Get Medieval; há dois anos que eu jogo, estou no 33° estágio e nem há previsão para o final.
41. passar o último estágio de Pitt Fall
42. aprender a cantar Morena de Angola
43. passear com o Professor Luiz pelo museu do Homem do Nordeste e pelo instituto Brennand
44. ser menos convencional
45. parar de esquecer o nome das pessoas
46. poder dar uma voltinha com a Beatriz e voltar para contar
47. vencer todos os moinhos de vento que se apresentarem
48. poder ver como as coisas ficam depois que eu morrer
49. crescer mais cinco centímetros
50. acreditar um poço mais no amor
51. confiar mais nas pessoas de quem mais gosto
52. ser menos possessiva
53. ser mais positiva
54. ouvir mais música
55. falar mais cinco idiomas
56. comer chocolate sem medo de dor no fígado
57. rir mais
58. chorar mais
59. namorar mais
60. pular feito uma louca quando eu tiver feliz
61. gritar para que todo mundo ouça quando eu falar na sala
62. virar uma multimilionária excêntrica
63. criar vários animais exóticos
64. dormir de dia e passear de noite pelo cemitério por umas duas semanas
65. ver os mortos para encontrar alguns que pudessem explicar uns mistérios
66. levitar par poder trabalhar na feira ganhando cinqüenta centavos por hora
67. fazer bico de faquir por um mês
68. conhecer o Buda e perguntar qual a direção do caminho do meio
69. saber quem teve a idéia de vincular oração e salvação
70. descobrir porque Romeu e Julieta fez tanto sucesso
71. entender porque todo mundo diz que é moderno e fica lendo Aristóteles que não escreve nada novo há mais de dois mil anos
72. dormir num banco de Igreja Barroca
73. comprar uma fossa abissal e um lote em plutão
74. ser caminhoneira por dois meses
75. descobrir porque na Alemanha enquanto o homossexualismo masculino era crime o feminino era fato atípico
76. ver a Terra do espaço e dizer É azul!
77. aprender a empinar pipa
78. conseguir usar meu relógio dourado
79. não ter de tomar injeções para febre reumática nem comprimidos para enxaqueca e artrite
80. adoecer e me curar naturalmente
81. morrer dormindo
82. lamber um iceberg ( é estúpido, mas não consigo tirar isso da cabeça)
83. ficar completamente bêbada e dizer tudo o que eu penso sem medo de ninguém
84. ser presa por calúnia
85. ser absolvida por falta de provas
86. voltar no tempo
87. ver açúcar de beterraba
88. ser testemunha chave para desvendar um crime
89. atravessar o rio Capibaribe a nado
90. passear em Veneza numa bóia redonda
91. ser funcionária pública para reclamar disso nos meus poemas
92. fazer com que Naísia vá a pelo menos um lançamento de livro meu
93. correr a pe pela Avenida Caxangá pela faixa de ônibus
94. participar de uma corrida de motos na Agamenon Magalhães
95. chorar vendo um filme
96. criar um gato preto num apartamento
97. convencer as pessoa de que a terceira idade só começa aos duzentos
98. chutar uma lata de lixo
99. cuspir da torre Eiffel
100. mandar no mundo por (pelo menos) um dia
enviada por juspoeta
14/03/2004 19:27
Mais uma data para comemorar
Pois é! Parece que eu só venho aqui pra falar de datas comemorativas. Tô parecendo uma agenda de estudante... Mas é assim mesmo. tenho pouco tempo. Ainda bem que me sobra algum pelo menos para as datas comemorativas...
E agora!? Falar sobre poesia? Como? Não, acho que não. A poesia é auto-explicativa, não se interpreta, ao menos não generalizando-a. Melhor que ela fale por si e expique ela mesma aquele que a forjou, o poeta.
FLORBELA ESPANCA
Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim...
É condensar o mundo num só grito!
É amar-te assim, perdidamente...
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente.
(Florbela Espanca)
DRUMMOND
Brinde no banquete das musas
Poesia, marulho e náusea,
poesia, canção suicida,
poesia que recomeças
de outro mundo, nova vida.
Deixaste-nos mais famintos,
poesia, comida estranha,
se nenhum pão te equivale:
a mosca deglute a aranha.
Poesia, sobre os princípios
e os vagos dons do universo:
em teu regaço incestuoso,
o belo câncer do verso.
Azul, em chama, o telúrio
Reintegra a essência do poeta,
E o que é perdido se salva...
Poesia morte secreta.
(Drummond)
MÁRIO DE SÁ CARNEIRO
DISPERSÃO
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida
Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje.
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim ontem.
(O domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os domingos de Paris:
Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família.)
O pobre moço das ânsias
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.
A grande ave dourada
Bateu asas para os céus
Mas fechou-as saciadas
Ao ver que ganhava os céus.
Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.
Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projeto:
Se me olho a um espelho erro-
Não me acho no que projeto.
Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a lama amortalhada
Sequinha, dentro de mim.
Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.
Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi
mas recordo
A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem da tarde doirada.
(As minhas grandes saudades
São do que eu nunca enlacei.
Ai como tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!
)
Eu sinto a minha morte-
Minha dispersão total-
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.
Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo
E todo o azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.
Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas
Sou amor e piedade
Em face dessas moa brancas
Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar
Ninguém mais quis apertar
Tristes mãos longas e lindas
Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal
Que me faltou afinal?
Um elo; Um rastro?
Ai de mim!
Desceu-me nalma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.
Álcool dum sono outonal
Me penetro vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.
Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas permaneço
Castelos desmantelados
Leões alados sem juba...
(Mário de Sá Carneiro)
MÁRIO QUINTANA
OS POEMAS
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo,
como de um alçapão.
Os poemas vêm, os poemas vão,
não têm pouso ou porto,
alimentam-se
um instante em cada par de mãos
e partem.
O que eles te dão
é o inesquecível, o maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
(Mário Quintana)
ÁLVARES DE AZEVEDO
Um cadáver de poeta - canto II
Morreu um trovador! morreu de fome...
Acharam-no deitado no caminho:
Tão doce era o semblante! Sobre os lábios
Flutuava-lhe um riso esperançoso;
E o morto parecia adormecido.
Ninguém ao peito recostou-lhe a fronte
Nas horas da agonia! Nem um beijo
Em boca de mulher! nem mão amiga
Fechou ao trovador os tristes olhos!
Ninguém chorou por ele... No seu peito
Não havia colar nem bolsa doiro:
Tinha até seu punhal um férreo punho...
Pobretão! não valia a sepultura...
Todos o viram e passavam todos.
Contudo era bem morto desde a aurora.
Ninguém lançou-lhe junto ao corpo imóvel
Um ceitil para a cova!... nem sudário!
O mundo tem razão, sisudo pensa...
E a turba tem um cérebro sublime!
De que vale um poeta?... um pobre louco
Que leva os dias a sonhar?... insano
Amante de utopias e virtudes
E, num templo sem Deus, ainda crente?
A poesia é decerto uma loucura:
Sêneca o disse, um homem de renome.
É um defeito no cérebro... Que doUdos!
É um grande favor, é muita esmola
Dizer-lhes bravo! à inspiração divina...
E, quando tremem de miséria e fome,
Dar-lhes um leito no hospital dos loucos...
Quando é gelada a fronte sonhadora
Por que há de o vivo, que despreza rimas,
Cansar os braços arrastando um morto,
Ou pagar os salários do coveiro?
A bolsa esvaziar por um misérrimo,
Quando a emprega melhor em lodo e vício? ...
E que venham aí falar-me em Tasso!
Culpar Afonso dEst um soberano,
Por não lhe dar a mão da irmã fidalga!
Um poeta é um poeta: apenas isso...
Procure para amar as poetisas.
Se na França a princesa Margarida,
De Francisco primeiro irmã formosa,
Ao poeta Alain Chartier adormecido
Deu nos lábios um beijo... é que esta moça,
Apesar de princesa, era uma douda...
E a prova é que também rondós fazia.
Se Riccio, o trovador, teve os amores
Novela até bastante duvidosa
Dessa Maria Stuart formosíssima,
É que ela sabe-o Deus! fez tanta asneira...
Que não admira que a um poeta amasse!
Por isso adoro o libertino Horácio:
Namorou algum dia uma parenta
Do patrono Mecenas? Parasita...
Só pedia dinheiro, no triclínio
Bebia vinho bom... e não vivia
Fazendo versos às irmãs de Augusto.
E quem era Camões? Por ter perdido
Um olho na batalha e ser valente,
Às esmolas valeu. Mas quanto ao resto,
Por fazer umas trovas de vadio,
Deveriam lhe dar, além de glória,
E essa deram-lhe à farta! algum bispado?
Alguma dessas gordas sinecuras
Que se davam a idiotas fidalguias?
Deixem-se de visões, queimem-se os versos:
O mundo não avança por cantigas.
Creiam do poviléu os trovadores
Que um poema não val meia princesa.
Um poema, contudo, bem escrito,
Bem limado e bem cheio de tetéias,
Nas horas do café lido, fumando...
Ou no campo, na sombra do arvoredo,
Quando se quer dormir e não há sono,
Tem o mesmo valor que a dormideira.
Mas não passe dali do vate a mente.
Tudo o mais são orgulhos, são loucuras...
Faublas tem mais leitores do que Homero.
Um poeta no mundo tem apenas
O valor de um canário de gaiola...
É prazer de um momento, é mero luxo.
Contente-se em traçar nas folhas brancas
De algum Álbum da moda umas quadrinhas:
Nem faça apelações para o futuro.
O homem é sempre o homem. Tem juízo.
Desde que o mundo é mundo assim cogita.
Nem há negá-lo: não há doce lira,
Nem sangue de poeta ou alma virgem
Que valha o talismã que no oiro vibra!
Nem músicas nem santas harmonias
Igualam o condão, esse eletrismo,
A ardente vibração do som metálico...
Meu Deus! e assim fizeste a criatura?
Amassaste no lodo o peito humano?
Ó poeta, silêncio! é este o homem?
A feitura de Deus! a imagem dele!
O rei da criação!...
Que verme infame!
Não Deus, porém Satã no peito vácuo
Uma corda prendeu-te o egoísmo!
Oh! miséria, meu Deus! e que miséria!
(Álvares de Azevedo)
CASTRO ALVES
Mocidade e Morte
E porto avisto o porto
Imermo, nebuloso, o sempre noite
Chamado Eternidade.
Laurindo.
Lasciate ogni speranza, voi ch'entrate.
Dante.
Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
Árabe errante, vou dormir à tarde
A sombra fresca da palmeira erguida.
Mas uma vez responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.
Morrer... quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! o seio da amante é um lago virgem...
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! formosa mulher camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas.
Minh'alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas...
E a mesma vez repete-me terrível,
Com gargalhar sarcástico: impossível!
Eu sinto em mim o borbulhar do gênio.
Vejo além um futuro radiante:
Avante! brada-me o talento n'alma
E o eco ao longe me repete avante!
O futuro... o futuro... no seu seio...
Entre louros e bênçãos dorme a glórial
Após um nome do universo n'alma,
Um nome escrito no Panteon da história.
E a mesma voz repete funerária:
Teu Panteon a pedra mortuária!
Morrer é ver extinto dentre as névoas
O fanal, que nas guia na tormenta:
Condenado escutar dobres de sino,
Voz da morte, que a morte lhe lamenta
Ai! morrer é trocar astros por círios,
Leito macio por esquife imundo,
Trocar os beijos da mulher no visco
Da larva errante no sepulcro fundo.
Ver tudo findo... só na lousa um nome,
Que o viandante a perpassar consome
E eu sei que vou morrer... dentro em meu peito
Um mal terrível me devora a vida:
Triste Ahasverus, que no fim da estrada,
Só tem por braços uma cruz erguida.
Sou o cipreste, qu'inda mesmo flórido,
Sombra de morte no ramal encerra!
Vivo que vaga sobre o chão da morte,
Morto entre os vivos a vagar na terra.
Do sepulcro escutando triste grito
Sempre, sempre bradando-me: maldito!
E eu morro, ó Deus! na aurora da existência,
Quando a sede e o desejo em nós palpita...
Levei aos lábios o dourado pomo,
Mordi no fruto podre do Asfaltita.
No triclínio da vida novo Tântalo
O vinho do viver ante mim passa...
Sou dos convivas da legenda Hebraica,
O 'stilete de Deus quebra-me a taça.
É que até minha sombra é inexorável,
Morrer! morrer! soluça-me implacável.
Adeus, pálida amante dos meus sonhos!
Adeus, vida! Adeus, glória! amor! anelos!
Escuta, minha irmã, cuidosa enxuga
Os prantos de meu pai nos teus cabelos.
Fora louco esperar! fria rajada
Sinto que do viver me extingue a lampa...
Resta-me agora por futuro a terra,
Por glória nada, por amor a campa.
Adeus! arrasta-me uma voz sombria
Já me foge a razão na noite fria!..
(Castro Alves)
MANUEL BANDEIRA
Desesperança
Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah! Que penosa lassidão em cada músculo
O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo
O ar, parado, incomoda, angustia
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.
Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando vida acabar, e astro apagado, a Terra
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.
O demônio sutil das nervoses entra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra
Minha respiração se faz como um gemido
Já não entendo a vida e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.
Por onde alongue meu olhar de moribundo
Tudo a meus olhos toma um doloroso aspecto:
E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.
Vejo nele a feição fria de um desafeto
Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sento que a minha vida é sem fim, sem objeto
-Ah! como dói viver quando falta a esperança.
(Manuel Bandeira)
CORA CORALINA
O cântico da terra
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
(Cora Coralina)
FERREIRA GULLART
Oswaldo morto
Enterraram ontem em São Paulo
um anjo antropófago
de asas de folha de bananeira
(mais um que se mistura à nossa vegetação tropical)
As escolas e as usinas paulistas
não se detiveram
para olhar o corpo do poeta que anunciara à civilização do ócio.
O lenço em que pela última vez
assoou o nariz
era uma bandeira nacional.
NOTA:
Fez sol o dia inteiro em Ipanema
Oswald de Andrade ajudou o crepúsculo
hoje domingo 24 de outubro de 1954
(Ferreira Gullar)
MARIO DE ANDRADE
Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquisila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar de uma vez:
E só tirar a cortina
Que entra luz nesta escuridez.
(A Costela de Grão Cão - Mário de Andrade)
Isto
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir, sinta quem lê.
(Fenando Pessoa)
Pronto, acho que terminei. POderia (ou não) passar o resto do mês achando poemas lindos para pôr aqui, ms preciso dar uma lida na bíblia do positivismo jurídico (Teoria Pura do Direito, do meu guru Kelsen).
Só faltou dizer que hoje é aniversário do meu companheiro de Faculdade, o Castro Alves, daí ser dia da poesia, a data que cá estou a comemorar.
Muitos rules beijos para todos.
enviada por juspoeta
07/03/2004 21:46
amanhã é dia da mulher
Mulher. Nem sei o que dizer. Sou mulher e sei o que ser mulher significa. Mas homenagear a mim mesma pode parecer um pouco pretensioso. Bom, eu podia dizer que as mulheres são mais fortes, mais espertas, mais sensíveis, mais inteligentes, mais bonitas, mais eficientes, mais emocionantes, mais lógicas, mais honestas, mais sensatas, mais pacíficas, mais poéticas, mais estéticas, mais elegantes, mais capazes... O problema que mesmo sendo verdade não seria modesto.
Então eu poderia dizer que sem as mulheres o mundo seria menos poético (é que mesmo havendo um monte de homens poetas, eles dó escrevem sobre mulheres...).
Mas isso também não diria tudo.
Eu poderia dizer que sem mulheres, você, meu dileto leitor, não teria nascido, mas isso esta´muito batido.
Então eu podia dizer que as mulhres estudam mais, mas ainda ganham menos. Mas o IBGE já disse isso.
Quem sabe se eu dissesse que as mulhrese continuam sofrendo violência e maus-tratos dentro de casa? Mas isso não é fático e observável?
Aí eu poderia sair dizendo nomes de várias mulheres: Carlota JOaquina, Chiquinha Gonzaga, Maria Quitéria, Clementina de Jesus, Dona Zica da Mangueira, Leila Diniz, Zuzu Angel, Lady Diana, Madre TEreza de Calcutá, Rita Lee, Dulcinéia de Toboso, Beatriz, Julieta...
Então cansada dos nomes conhecidos, eu diria os nomes de várias amigas minhas, que são muito legais: Naísia, militante, Patrícia, professora, Sílvia, promotora, Ana Paula, juíza, Quitéria, minha mãe, Mônica, feminista, Renata, enfermeira, Nene, merendeira, Nazaré, professora, FAbiana, mil e uma utilidades e estudante nas horas vagas, Aninha, militante, Giovana, mãe, estudante e funcionária pública, Ana Maria, mina primeira professora, Andréa, coreógrafa, D. Lourdes, auxiliar de serviços gerais, Edileuza, agropecuarista e eternamente apaixonada, Emanuelina, militante, Glaucione, engenheira, Gracinha, mãe empreendedora e intelectual, Jucineide, juíza, Karina, advogada muito bem sucedida, Karla, cantora, Kelly, atriz, Louise, militante, Lucidalva, dona de casa, professora, comercinate, beata (rss) e mãe, Sônia, cabeleireira, Maciana, estudante, Madrinha Rosa, professora e freira, Renata Adeodato, acha que quer ser advogada, mas não tem certeza, socorro, professora, Wilksonita, professora apaixonada, Tia Antônia, competente secretária, Laurinete, funcionária pública, Valéria, professora e mãe coruja, D. Shirley, simpatica matriarca moderníssima, Vovó, matriarca não tão moderna, mas muito espirituosa. Mas eu não teria tempo suficiente para pôr todas aqui, com suas respectivas ocupações.
Eu podia dizer que as mulhres são como flores, ou como espinhos, ou como gatas, ou como pássaros, ou como borboletas, ou como tigresas.
Eu podia dizer que muitas mulheres não se dão o devido valor.
Eu podia dizer muita coisa, mas resolvi não dizer nada e apenas curtir, amanhã e em todos os outros dias a dor e a delícia de ser
MULHER
enviada por juspoeta
05/03/2004 16:14
Uma semana de cão, mas eu adorei !!!!
Já tava na hora de atualizar. Quase uma semana de displicência, só
comentando. Mas tenho boas desculpas. Desde a última semana tenho estudado em
pelo menos dois horários; ontem, estudei nos três. Na quarta, ainda fui
visitar tia Rosa, lá no Colégio, para entregar a ela o livro "Crônica de
uma morte anunciada", do García Marquez, que comprei no sebo por R$ 10,00.
E por falar em sebo, andei por uma porção deles essa semana, na eterna procura
por UMA CARTA DE ABC. Se alguém tiver notícia da existência de alguma, por
favor, entre em contato.
Fora isso, ainda tive o prazer de assistir a uma magnífica defesa de tese de
doutorado, do meu professor de Teoria Geral do Processo, na qual ele abordava o
tema da proteção jurisdicional no emprego, tanto no aspecto material como no
processual, dando ênfase (aliás como sempre faz nas aulas) à importância de
uma nova postura por parte dos operadores do direito. Dizia ele que enquanto
não houver uma nova postura desses operadores, no sentido de uma maior abertura
interpretativa em detrimento ao que chamou de "legalismo
cego", sempre os meios existentes de feitura pelo menos da justiça
"possível" ficarão aquém de suas reais possibilidades. Esse
professor, Sérgio Torres Teixeira, é também Juiz do Trabalho na 2ª vara de
Jaboatão dos Guararapes.
Essas posturas adotadas por ele não são novidades para seus alunos.
Inclusive pus algo nesse sentido que em minha prova de Introdução ao Estudo do
Direito, afirmando que era possível uma execução da justiça
"possível" mesmo dentro da dogmática, refutando a existência de um
"direito alternativo" nesse sentido. Confesso que não sei o vai
acontecer com minha nota, principalmente por ter dito, em outras palavras que o
maniqueísmo oriundo das discussões sobre o Direito alternativo era
desnecessário e configurava-se principalmente por uma postura de magistrados
que queriam "botar banca" de heróis defensores dos fracos e dos
oprimidos. E o pior foi dizer que o discurso deles parecia com o de Renato
Russo: "o sistema é mau, mas minha turma é legal..." A verdade é
que acho que a busca pela já tão citada justiça, ou pela decisão mais justa
possível pode muito bem ser feita dentro da legalidade, que aqui não seria
"cega", mas sim crítica.
Ficam, então minhas congratulações ao professor Sérgio Torres, além da
minha alegria de ver que ele defende suas idéias do mesmo modo ante seus alunos
do segundo período e ante a "douta banca" formada por quatro doutores
juízes do trabalho e um doutor em direito e sociologia. E o melhor foi o
bendito do doutor que não era juiz, adepto dos abismos da turma dos "Adeodáticos"
que ao ser irônico ante a "utopia" de Sérgio, recebeu a merecida
resposta - podem me chamar de sonhador, mas eu ou fazendo a minha parte...
"You can say I'm a dreamer, but I'm not the only one"
Fora isso, participei, ainda, de um curso sobre teorias da democracia, de Nelsinho, e um
seminário sobre imigração e direitos fundamentais, que se estenderão ainda
por uma e três semanas, respectivamente. Isso sem falar da minha prova de
constitucional, do meu trabalho de Civil, das redações do curso de inglês, de
que esteou estudando para o concurso do Ministério Público da União e de que
eu ainda tenho que comer, tomar banho, respirar... Mas o fato é que apesar de
ser muito corrido, eu estou adorando. Pelo menos, não me sobra tempo para
pensar muita besteira.
Dia nove próximo é aniversário da minha prima Renata. Caso eu não venha
aqui até lá, vou deixando um
Feliz Aniversário!!!!
pra ela, e os votos de uma vida muito boa, cheia de festas, namorados e muitas
alegrias. rssssssssssss
Pra quem achou esse papo jurídico muito sério, vou contar um mais ameno.
Ontem foi dia de São Casimiro. Ninguém sabe que foi São Casimiro, mas ele
mesmo assim foi santo, então eu vou dizer que ele não foi mártir, mas foi
VIRGEM!!!
4 de Março
São Casimiro, Confessor
(+ Grodno, Lituânia, 1484)
Era filho de Casimiro IV, rei da Polônia e grão-duque da Lituânia.
Durante quatro anos governou, em nome do pai, o reino da Polônia. Piedoso e
devoto da Virgem, fez ainda muito jovem voto de castidade, e recusou-se por
isso a casar com uma princesa filha do imperador do Sacro Império. Morreu
aos 23 anos, deixando fama notória de santidade.
Eu assino um grupo de Hagiografia que me manda a história do santo de cada dia.
Conhecimento inútil, mas às vezes é legal, principalmente por causa dos
nomes. Quando eu me lembro que antigamente as pessoas tinha o costume de colocar
nas crianças o nome do santo do dia em que elas tinhas nascido e me lembro que
nasci no dia de Santo Antão, fico muito feliz dessa tradição ter
acabado!!!!!! Imaginem:
O BLOG DE ANTONA, MERAMENTE
INCLASSIFICÁVEL!!!!
Até a próxima!!!
enviada por juspoeta
01/03/2004 05:55
Pra Naísia!!!!!!!!
Eu sei que ela não gosta. E esse já seria motivo suficiente para que eu não fizesse isso aqui. Acontece, porém, que de tão especial, eu não poderia me furtar de reiterar a importância da minha melhor amiga no dia do seu aniversário.
Tá bom, Naísia
Eu sei que você não gosta de aniversários
Eu sei que seu humor fica péssimo
Eu sei que você achou perfeito o ano passado, quando eu esqueci dele
Eu sei que você queria morar na Terra do Nunca
(ou talvez na Terra Média, mesmo que não faça o mesmo efeito)
Eu sei que pra você isso é opressão social
Eu sei que ESTE aniversário suscita uma crise mais grave que os anteriores
Eu sei que você não quer tirar fotos
Eu sei que você não quer presentes
Eu sei que você não quer bolos
Embora não seja capaz de recusar uma pizza
Eu sei que você é só uma criança
Extremamente mimada e melindrosa
Que seu mau humor é do cão
Que você é inteligente o suficiente para arranjar um monte de argumentos
Para justificar o fato de ser assim tão ranzinza
Eu sei que você é tão musicalmente xiita que deve detestar o parabéns a você
(já que a melodia não é metal)
Mas mesmo sabendo de tudo isso,
Eu nunca poderia deixar
De dizer para toso mundo
O quanto eu te adoro
E quantas FELICIDADES eu te desejo
Nesse dia
E em todos os subseqüentes
(Naísia é a menina de preto, mas como disse Fabiana, isso não interfere muito em sua personalidade) - PARTE EDITADA - VALEU, MÁRIO
NAÍSIA RULLES!!!!!!!!!!!!
De sua BFF (Best Friend Forever)
MARÍLIA
*Dona Benigana, mesmo não sendo comum de sua parte, também deseja felicidades!!!!!
*Acho também que seria desnecessário dizer como você é especial para mim. E mais desnecessário anida dizer o quanto te adoro.
*Vejam só, por causa de você acabei mostrando minha cara desconhecida nesse blog!!!!!!!!!!!
E agora, a frase mais esperada:
Feliz
Aniversário!!!!
enviada por juspoeta
27/02/2004 21:12
voltei, recife...
Ótimo, meu carnaval alternativo. Felizmente, pude reencontrar amigos, conversar, assistir filmes, falar coisas sem qualquer intenção, bobagens
Estou mais leve. Até minha famosa dor de consciência de quando vou para casa e não estudo nada foi atenuada. A verdade é que eu estudei bem pouco, direito constitucional. Mas fui pra casa da tia Sil e ajudei a fazer uns pareceres, o que me deixou menos desconsolada, pois aprendi um monte de coisas novas.
Até meu lado artista está diferente. Consegui escrever alguma coisa diferente sobre o amor, menos irônico, ou menos fatal. Não que eu tenha mudado o que eu penso a respeito, mas passo a pelo menos compreender o ponto de vista de quem pensa diferente de mim. A pobre da Mônica vive dizendo que eu preciso falar de amor. Acho que vou oferecer esse meu texto a ela e a Tia Sil, que vivem tentado me convencer de que o amor não foi invenção dos românticos, que ele tem existência real. Então pensei em tudo que elas me disseram e no famosíssimo poema de Pessoa, sobre as irremediavelmente ridículas cartas de amor, e escrevi o que segue:
-Ah! O sorriso dela! Ela parece que sorri pelos olhos, pela boca, por todos os poros! Até os cabelos dela parecem sorrir para mim! Ela tem o sorriso dos plácidos, dos calmos, o sorriso dos que são imunes aos problemas os que jamais têm problemas.
O homem dizia isso ao passarinho que estava empoleirado na árvore em frente à sua janela, na apartamento que há dez anos ocupava sozinho segundo andar.
O passarinho, que nada entendia das paixões humanas, continuava impassível. Mas permaneceu ali, parado, espiando como a uma paisagem aquele homem que ora suspirava, ora se contorcia.
Há alguns dias se operara uma mudança súbita naquele homem calado, só e sem grandes perspectivas. Ele viu a luz e a luz era ela.
Desde então, passava horas ao espelho: penteava os cabelos em todas as posições, esperando uma em que cada cabelo assumisse naturalmente sua posição. Passou, também, a cuidar melhor de suas roupas: engomava as suas calças e camisas, e tentava (em vão) combiná-las.
E, principalmente, se perfumava. Usava perfume, muito perfume. Queria que todos sentissem seu cheiro e sua nova condição de amante. E perfumava tudo ao seu redor: o sofá, os livros, os lençóis, os encartes dos discos. Sua casa tinha o cheiro exagerado dos que amam.
Estava tão ébrio de paixão que esquecera-se, até, da antiga resolução de permanecer só, para toda a vida. Mas justificava-se, a si mesmo, que aquele era o início de uma nova vida. Ela era uma nova vida.
E ele já era, em uma ou duas semanas, um novo homem. Mas como fazer com que ela participasse daquele momento?
Já há dez anos que não se apaixonava. Levava uma vida comum de solteiro tinha mulheres, mas amor, daquele do qual se morre, este ele juro que não existia quando sua mulher disse que ninguém amaria alguém ridículo como ele.
-E se ela também me achar ridículo?
(...)
-É melhor que tudo fique como está.
(
)
-Fala alguma coisa, passarinho!!!
E foi nessa hora que o passarinho voou.
Eu sei, isso não é romântico. Mas parto basicamente da premissa de que o amor é um sentimento eminentemente unilateral. Eu acho que essa história tem continuação. Mas ainda tenho de decidir acerca da bilateralidade desse caso específico. O amor do homem é pleno, mas ainda preciso criar a mulher. Gostaria de sugestões.
-Comentário a um comentário num blog que não é meu-
Eu explico: quando o Salomão pôs no blog dele um trecho do post do dia 02 de janeiro, o Dorian (que, aliás, já veio aqui me visitar) comentou que essa defesa da língua errada do povo, às vezes extrapolava. Concordo, mas em parte. Bandeira, por exemplo, defendia o respeito, mas jamais disse que era mais certo ou mais genuína a linguagem popular. Penso assim. Não posso escrever com essa linguagem porque ela não me pertence, mas também não posso negar o lírico ou o poético ou qualquer tipo de conteúdo por causa da forma ou da linguagem. Afinal, data venia, alguns poemas parnasianos, por exemplo tinham uma linguagem perfeita, mas conteúdo
nenhum, né!? Em resumo, eu concordo com o Dorian: às vezes o respeito vira culto e se torna falso e desnecessário. Porém ressalvo que a falta do respeito é temerária.
Vi alguns visitantes novos. Obrigada. Provavelmente no domingo farei minhas visitas aos amigos meio abandonados.
Vi também o retorno do Mário, que me deixou muito feliz. TOMARA QUE TU TEJA LEGAL. Pelo menos uns 85%. Já me considero tua amiga por osmose. Beijo.
EU OUÇO MÚSICA
Eu ouço música como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo...
Eu ouço música como quem está morto
e sente
já
um profundo desconforto
de me verem ainda neste mundo de cá...
Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!
Eu ouço música como um anjo doente
que não pode voar.
(MÀRIO QUINTANA)
enviada por juspoeta
18/02/2004 13:44
Neste carnaval, a despeito de tudo e de qualquer coisa, e fazendo o inverso de quase todo mundo, vou de Olinda a Garanhuns, passar o Carnaval num retiro em mim mesma. Ficarei sem possibilidade de postar o que quer que seja, dada a falta de Internet no meu saudoso lar.
Apesar de amante do carnaval pernambucano, contingências muito além do explicitável me levam a ter de abrir mão da festa mais democrática que eu conheço. Isso inclui, infelizmente, a noite dos tambores silenciosos, que é meu sonho de consumo.
Tem também o Homem da Meia Noite, O Elefante de Olinda, as Vassourinhas, o Menino da Tarde, A Porta, Mole não entra
além do simpático bloco do pessoal da Faculdade: Meu inciso no teu artigo.
Ah, saudade
Saudade, tão grande
Saudade que eu tenho do clube das pás
Com Vassouras
Passistas cortando tesouras
Nas ruas repletas de lá
Saudades que eu tenho
São maracatus retardados
Que voltam pra casa cansados
Com seus estandartes no ar
Voltei, Recife
Foi a saudade que me trouxe pelo braço
Quero ver novamente as vassouras na rua abafando
Tomar umas e outras e cair no passo
Cadê Loureiro cadê Bola de Ouro
As Pás e os Lenhadores
E o bloco Batutas de São José
Quero sentir
A embriagez do frevo
Que entra na cabeça
Depois toma o corpo e acaba no pé.
É de fazer chorar
Quando o dia amanhece e obriga o frevo a acabar
Ah! quarta-feira ingrata
Chega tão depressa
Só pra contrariar
Ouvi dizer
Que o mundo vai se acabar
Que tudo vai pra cucuia
E o sol não mais brilhará
Mas se deixar
O bombo e uma mulata
E um trombone de prata
O frevo vão liberar
Pode acabar o petróleo
Pode acabar a vergonha
Pode acabar tudo, enfim
Mas deixem o frevo pra mim
É! Frevo é madeira que cupim não rói!
Bom, mas fazer o quê?
Eu vou pro meu aconchego
DE VOLTA PRO ACONCHEGO
(Dominguinhos e Nando Cordel)
Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero um abraço
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom poder estar contigo de novo
Roçando teu corpo e beijando você
Pra mim tu és a estrela mais linda
Teus olhos me prendem, fascinam
A paz que eu gosto de ter
É duro ficar sem você vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que vou mergulhar
Na felicidade sem fim
Pra quem não sabe essa música, que fica tão bem na voz de Elba Ramalho, foi composta por dois conterrâneos meus, de Garanhuns, o tão conhecido Dominguinhos e o menos conhecido e tão talentoso Nando Cordel (que mora na casa ao lado da do Vô Luiz). Dominguinos foi encontrado pelo mestre Luiz Gonzaga, quando ainda era garoto, tocando em frente ao Hotel Tavares Correia. Apadrinhado pelo Rei, consegui fama nacional, já que toca muito bem (mas não concordo com os que dizem que ele poderia substituir a Majestade esse reino não tem herdeiros).
Perdoem-me o tom de quem substitui por músicas as palavras duras com que expressaria sentimentos dolorosos. Prefiro pôr aqui as melhores coisas de mim.
BOM CARNAVAL A TODOS.
enviada por juspoeta
17/02/2004 21:30
OUTROEUOUTRO
eu não sou eu nem sou o outro
sou qualquer coisa de intermédio
pilar da ponte de tédio
que vai de mim para o outro
(Mário de Sá Carneiro)
As pessoas
Estão
A cada dia
Mais longe
Mais perto
Mais longe
Mais perto
Estão
A cada dia
Mais em si
E mais no outro
Mais em si
E mais no outro
E o outro é
O um
E todos já são
Um só
Mais perto
Mais longe
...
As pessoas
São
A cada dia
Menos pessoas
Mais longe
Mais perto
Mais longe
Mais perto
Já não sei
Quem sou
Quem és
Se sou
Eu
Ou
O outro
Eu sou
Uma pessoa
Mais longe
Mais perto
Mais longe
Mais triste
Mais eu
Mais outro
Mais triste
Mais só
Cada um
Está mais perto
Mais longe
Mais igual
Mais um
Mais todos
Se eu fosse o sol,
Saberia quem sou
Saberia quem fui
Seria eterno
E teria fim
Numa massa sem forma
Que expele gases
E se chama anã
Mas não sou
Sou só mais
Um
Mais longe
Mais perto
Mais triste
Mais só
Que o outro
Que qualquer um.
Marília
*Erro de digitação grave: no texto Ai se sesse, que eu publiquei no primeiro post do ano em vez de E o bucho do cú furasse, leia-se: E o bucho do céu furasse acho que estava inteligível, mas o melhor é corrigir um texto que nem é meu. Aliás, o Salomão transcreveu ipsis litteris o texto e acabou copiando o erro.
Aliás, queria agradecer a ele pelos lisonjeiros elogios que ele me fez no seu último post, a mim e a todos os todos os nordestinos, além de publicar esse trecho do post do dia 02/01.
Obrigada, também, a todos os novos visitantes que tem vindo aqui e deixado seus comentários. Prometo, tão logo passarem as provas, fazer todas as visitas que eu estou devendo.
Muitos beijos.
Lila.
enviada por juspoeta
16/02/2004 14:52
mais de mim mesma
Me lembrei, esse fim de semana, de um texto que escrevi há uns cinco anos atrás e que estava inserido num outro texto que eu e Naísia escrevemos juntas (ah! a nossa infância!). o texto era meio complicado, e não pode ser mostrado, mas esse excerto em especial ficou muito legal e eu já outras vezes pensei em publicá-lo. O mais próximo, porém que ele chegou do público foi na ocasião em que foi levado ao editor do jornal cultural de Garanhuns, que a achou muito forte para o seu jornal e ME CENSUROU, segundo o portador, com medo de que o texto levasse as pessoas ao suicídio. Achei ridículo, mas me senti lisonjeada por haver sido comparada com Goethe (rssssss). Aí resolvi abandonar o texto, que ficou engavetado no computador até que eu me lembrei dele.
Aí vai, então a carta feita por uma pré-adolescente cheia de spleen que sonhava morrer de tuberculose aos vinte e um anos, depois de começar a Faculdade de Direito. É
hoje eu tenho uns sonhos muito menos radicais... mas até o que texto ficou mais ou menos:
A ÚLTIMA CARTA
(POR MARÍLIA JACKLEYNE)
Oi, amiga!
Quando esta carta for aberta, sem dúvida os vermes já me estarão a roer. Certamente alguns dias já se passaram desde que com metal vil pus termo à triste ópera da minha vida.
Morri. E naquele dia em que sangue e vida escoaram por meus pulsos abertos ah! quantos em vão choraram, rezando, no intuito de salvar a minha pobre e infeliz alma.
Sorrio desde já, imaginando o pranto assustado daqueles que em vão perguntavam-se o porquê de eu, tão jovem, com tanto futuro, ter feito semelhante loucura
Mas nada é mais extasiante que imaginar o horror deles ao ver a matéria inanimada outrora tão cheia de vida desaparecer sob a terra escura. Eu mesma assusto-me ao pensar nisso. Mas ali, naquele instante eu era como uma folha caída ontem cheia de viço, hoje seca, levada por um vento. Foi a falência do mundo que me levou.
Só que aquela não foi, em verdade, a minha morte. A morte verdadeira é tanto mais lenta que a decomposição orgânica que me sobrevém. A morte verdadeira vem do recomeço da vida alheia. Não há tempo para pensar em coisas menores (isso não muda) e agora, que já não há a minha presença para fazer-me lembrada, é muito mais fácil esquecer. Aí sim, será a verdadeira morte. Quando for totalmente esquecida e não restar uma lembrança, uma idéia, sequer um nome escrito num papel reles, aí terei morrido e finalmente descansarei.
Sabendo que a minha importância era sentida unicamente por mim, para quem era todo o Universo, ficou fácil. Desfiz o Universo e tornei-me livre na consciência da inconsciência. Da morte, espero a liberdade. Liberta das convenções deste mundo vil, estarei feliz. Portanto, quando acaso perguntarem, diga-lhes que buscava a felicidade. Encontrá-la ou não, é um risco que infelizmente preciso correr. Mas que certezas há na própria vida!?
Matar-se é como escapar de uma aula chata. Rir-se dos outros que lá ficam, seguindo as regras, ouvindo as ideologias vãs do professor idiota. Resta saber apenas se corajosos são aqueles que vão, ou aqueles que ficam.
Não busque vilões ou heróis. Estamos num palco. Todos somos atores. Às vezes, saímos do espetáculo mais cedo, ou improvisamos. Como o poeta, cheguei tarde demais num mundo por demais velho. Ah! Estavam verdes! Querida raposa
tuas uvas eram verdes, a minha vida, caduca! Sempre se desdenha daquilo que não se pode entender
Se queres matar-te, mata-te
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
(Pessoa)
O adeus da amiga
Clarissa
Salomão, seja bem vindo ao meu blog e é claro que você pode por os poemas no seu blog. Obrigada pelo eleogio, também.
mário, cadê você?
Naísia, eu também estava com saudades dos meus versos.
Hobbit, eu não tenho culpa, minha alma veio assim da fábrica.
Milton, eu sinto muitop pela falta de visitas.
Ronaldo e Chaiene, sejma bem-vindos, também.
Acho que está dado, o recado.
enviada por juspoeta
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